Sentir: o lugar do espectador na performance

Updated: Nov 23, 2018


B.2.5 ARBORETUM - HANTU: Performance pour humains et plantes en réseau et participative - proposé par Jean Delsaux, Pascale Weber, Simona Polvani et Sylvie Roques.


Translation in english below.


Thématiques communes: #performance #théâtre

Sujets spécifiques: #sentir #nature #spectateur



Na sexta-feira 26 de outubro, segundo dia da Conferência EASTAP em Paris, a performance <Arboretum - Hantu>, proposta por Jean Desaux, Pascale Weber e Sylvie Roques, foi apresentada na sala La Ressere e incluiu o público em uma vivência baseada na conexão entre o teatro e a natureza. Performance essa, proposta em um palco, com pouca iluminação e que criava um espaço íntimo entre os performers e os espectadores.

Arboretum é uma vivência que conecta o performer à natureza, mais precisamente à uma planta e que propõe ao artista de viver o nascimento, o desenvolvimento e a morte da mesma [planta], baseada no rito funerário de Sulawesi.

Visto do público, a performance cria uma espécie de angústia ao ver as 7 duplas vivenciando essa experiência juntos, visto que um é passivo e o outro ativo. Um performer controla o movimento do outro, que deve se entregar completamente.

Vale ressaltar que essa performance foi apresentada sem ser praticada antes pelos artistas em cena e, então, é possível perceber o estado que se cria em cada um e, às vezes, sentir o que eles estão absorvendo.

Ao ser apresentado dentro de uma sala de teatro, em um palco, uma questão surgiu após compartilharmos algumas ideias e sentimentos: <Se essa performance é baseada nessa conexão entre o humano e a natureza, por que não começar a experiência do lado de fora da sala?>

Parece um tanto quanto confortável essa escolha, ainda mais com todos os dispositivos utilizados: projetor, vídeo, iluminação e até mesmo uma conferência por Skype, que era assistido e conduzido por uma das pesquisadoras desse experimento ao vivo.

Essa performance é para ser sentida e para se deixar ser levado pelo o que proposto. Criar essa conexão com a natureza permite, portanto, que o trabalho alcance um outro nível. Mas como sentir esse efeito sem participar?

Então, levanta-se a questão, mais uma vez, sobre propor esse trabalho fora do palco, para não só criar essa conexão com uma planta, mas também com o que acontece exteriormente, influenciado pela luz do dia ou da noite, os sons, ou mesmo pelas coisas vistas, além das paredes pretas de uma sala de teatro. Talvez o efeito teria sido ainda maior, partindo da posição ocupada pelo espectador, nesse caso.

Podemos dizer que, essa performance, poderia durar horas e assim podermos ver a evolução gradativa dessa proposta. Mas o que sentir? O que pensar? Talvez sejam questões sem respostas, visto que a proposta se baseia nos efeitos internos causados no corpo performativo, mas que podem ser também respondidas por um gesto, um movimento, uma palavra ou mesmo pelo silêncio.

Ao convidar a plateia para acompanhar a performance do lado de fora, um outro ambiente é criado, e ali, parece se criar uma verdadeira conexão com a natureza. Tanto entre os performers com as plantas, tanto quanto entre o público e os performers e suas respectivas plantas.

Atiro a atenção para um performer em particular, que pareceu sentir o tempo todo, naturalmente, o que estava sendo proposto e que durante boa parte da apresentação, prendeu a atenção de alguns espectadores: uma criança; um garotinho.

Numa performance rodeada de adultos, a figura desse menino no palco parece a mais próxima da realidade. Inocente e totalmente entregue, o que normalmente é difícil de se ter vindo de uma criança.

Ressalto, ainda, que essa performance, esse rito, não se transformou em uma atuação, mas sim em uma espécie de experiência que deve ser sentida e interiorizada.

Talvez fosse uma boa ideia, para as próximas experiências, que o público não seja passivo, mas que ele possa circular entre os performers (como foi feito durante poucos minutos no final). Ao incluir os espectadores nesse jogo, e os tirando do posto passivo, eles podem sentir e refletir de uma outra forma o que é proposto.

Em meio a movimentos lentos, gestos econômicos, toques, emoção e silêncio, essa experiência se tornou, em uma hora, um jogo de sentir e refletir; absorver e vivenciar. A natureza é tão frágil, e apesar de toda violência causada pela colonização e globalização, ela ainda está ali, sobrevivendo a esse louco mundo.


TO FEEL: The place of the viewer in the performance


On Friday October 26th, the second day of the EASTAP Conference in Paris, Jean Desaux, Pascale Weber, and Sylvie Roques presented their performance Arboretum – Hantu in the La Ressere room, adapting the space to include the audience in an experience based on the connections between theater and nature. Performed on a small raised stage with soft light to create an intimate space for both the performers and the audience.

Arboretum is a production that connects the performer to nature, specifically to plants, by utilizing the funeral rite of Sulawesi such that the artist follows the arc of birth, development and death of a specific plant.

From the audience’s perspective, the performance induces a type of anguish through watching seven couples live this experience together. This anguish is heighted seeing that one partner is passive and the other active, meaning that one performer always controls the movement of the other.

It is important to note that this performance was presented without any rehearsal time by the artists on the scene, and thus it was possible to perceive the nascent state of the work, allowing the audience to truly feel the partners absorb their actions for the first time.

As this performance was presented in a theatrical space, in this case on a stage, a question arose during the audience talkback: “If this performance is based on the connection between the human and the nature, why not start the experience outside the room ?”

It is true that the commentary feels apt given all the technology used: a projector, video feed, lighting and even a Skype call to include a researcher involved in the experiment live in the experience.

The performance is meant to be experienced by all - both artists and audience. Having this connection with nature thus allows the artistic work to reach another level. But how can the viewer connect with the performance without directly participating?

So the question arose once again about proposing this work site-specifically, not only to create a true connection with plants, but also to feel the influences of daylight versus moonlight, ambient sounds, all beyond the black walls of a theatrical space. Perhaps the connection effect would have been even greater, from the position occupied by the viewer in this case.

For example, the performance could play with extending its duration, thus allowing the audience to experience a more gradual evolution of the proposal. But what should the viewer feel? Or think for that matter? Perhaps these are questions without answers, since the proposal is based on the internal effects on the performative body of the artist, but which can also be answered by a gesture, a movement, a word or even by silence.

By inviting the audience to follow the performance from the outside, another environment is created, and thus creates a true connection with nature. Between the performers with the plants, there is as much connection between the audience and the performers as the latter with their respective plants.

I must bring attention to a particular performer, who naturally responded one hundred percent of the time to what was being proposed. This work was noted by a number of audience members, notably due to this performer being quite young: a child, a young boy.

In a performance surrounded by adults, the figure of this boy on stage seems the closest to reality. Innocent and completely immersed in his role, a rare quality to see in someone so young.

I also emphasize that this performance, this rite, has transcended from a simple play to a special type of experience.

It is worth considering for the upcoming performances to have an audience that is not passive, but that can circulate among the performers (as was done for a few minutes at the end). By including the audience in the game, thus shifting them from a passive position, they could reflect in another way on what is proposed.

Amid slow movements, precise gestures, physical contacts, emotion and silence, this experience became, in an hour, a game of feeling and reflection; absorbing and experiencing. Nature is extremely fragile, and despite all the violence caused by colonization and globalization, it is still there, surviving in this crazy world.


©2020 by Observatoire Critique.

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